terça-feira, 29 de maio de 2012

Era uma vez...

Era uma vez uma coisa que ninguém conseguia explicar. Era uma vez uma energia que nenhum fracasso conseguia esvaziar. Era uma vez uma história que nenhuma teoria conseguia abstrair. Era uma vez uma riqueza de detalhes que numa enciclopédia conseguia registrar. Era uma vez um mistério que nenhuma arte conseguia retratar. Era uma vez um desafio que nenhuma rotina conseguia diminuir. Era uma vez uma liberdade que nenhuma opressão conseguia calar. Era uma voz uma trajetória que nenhuma coreografia conseguia reproduzir. Era uma vez uma dimensão que nenhuma geografia conseguia alcançar. Era uma vez um projeto que nenhum sistema conseguia prever. Era uma vez um mistério que nenhum algoritmo conseguia decifrar. Era uma vez um processo que nenhuma civilização conseguia controlar. Era uma vez um mundo que nenhuma ciência conseguia simplificar. Era uma vez um fluxo que ninguém conseguia apreender. Era uma vez uma oportunidade que nenhum preconceito conseguia sufocar. Era uma vez um roteiro que nenhum filme conseguia desenvolver. Era uma vez uma experiência que nenhuma religião conseguia manipular. Era uma vez uma luz que nenhuma escuridão conseguia esconder. Era uma vez um negócio que nenhum mercado conseguia privatizar. Era uma vez uma promessa que nenhuma política conseguia distorcer. Era uma vez um fenômeno que nenhuma metáfora conseguia evocar. Era uma vez uma organização que nenhuma legislação conseguia disciplinar. Era uma vez um sentimento que nenhuma psicologia conseguia racionalizar. Era uma vez um verso que nenhuma poesia conseguia rimar. Era uma vez uma explicação que ninguém conseguia concluir. 

Era uma vez você. Era uma vez eu. Era uma vez nós. Incluindo elas. Incluindo eles. Juntamente com todas. Juntamente com todos. Continuando com os demais. Recomeçando com a gente, passando pelos outros, até alcançar mais alguém, para não faltar ninguém. 

Era uma vez a vida.

terça-feira, 17 de abril de 2012

CRÔNICA: Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

Mulheres políticas e sociedades fragilizadas

No dia em que uma mulher lá de cima (Hilary), de uma potência em decadência (EUA), visita uma mulher aqui de baixo (Dilma), de uma potência em afirmação (Brasil), uma mulher aqui do lado (Cristina), de um país (Argentina) dinâmico, hermoso e destemido (inclusive no resgate democrático das verdades sobre os crimes da ditadura que assombraram outrora a política latino-americana; matéria que as “elites” daqui prefeririam incinerar em vez de reconstituir), presenteia-nos com um gesto firme, altivo e politicamente legítimo.

Pois bem, nossa presidente vizinha de um país hermano reivindicou e legalizou a soberania mínima na gestão das riquezas nacionais de seu petróleo e gás; ideologias e sectarismos à parte, um Estado não existe só pra reagir (aos mercados e interesses estrangeiros), mas também para agir (a favor do povo e aspirações das maiorias).

O grande desafio que nos cabe está nesse pequeno e grande detalhe que oscila entre os instintos privatistas de liberdade e as necessidades estatizantes de proteção: sociedade. Nossa ditadura política se foi, mas deixamos que outras ditaduras entrassem em campo, como a da mídia, a da publicidade e a da indústria enlatada de práticas de lazer descoladas do cheiro cotidiano, de nossas identidades locais e das aventuras e desventuras comunitárias.

Quando sermos menos servil e efetivamente mais civil, uma outra sociedade edificará nossos lares, semeará novos valores e inspirará as gerações vindouras, nos colocando de mãos dadas com toda a humanidade que muitas vezes não conseguimos desenvolver e partilhar, intoxicados que ainda estamos por um modelo de sociedade (civil) e representatividade (política) que não cuida bem de sua gente, de suas instituições e de seus recursos, sejam eles naturais ou industriais, científicos ou morais, e materiais ou espirituais.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dilemas demais ou Atitudes de menos?


DILEMAS DEMAIS OU ATITUDES DE MENOS?

Rumos sem rimas ou rimas com rumos??
Rimas sem rumos ou rumos sem rimas??

Se achar ou se perder?
Sufocar-se ou inspirar-se?
Recolher-se ou aventurar-se?
Sustentar(-se) ou desabar(-se)?

Desistir ou lutar?
Obedecer ou subverter?
Sonhar ou sobreviver?
Superar-se ou acomodar-se?
Voar ou rastejar?

Rumos sem rimas ou rimas sem rumos??
Rimas com rumos ou rumos sem rimas??

Isolar-se ou (re)aparecer?
Adiar ou antecipar?
Errar ou regredir?
Construir ou atrapalhar?
Caminhar ou desafinar?
Desacreditar ou (re)começar?
Prometer ou realizar?

Educar ou explorar?
Distribuir ou acumular?
Manipular ou informar?
Esclarecer ou confundir?
Controlar ou emancipar?
Se solidarizar ou se omitir?

Rumos com rimas ou rimas sem rumos??
Rimas sem rumos ou rumos com rimas??

Fingir ou assumir?
Compreender ou criticar?
Deletar ou compartilhar?
Reprovar(-se) ou perdoar(-se)?
Curtir ou amar?

Ter ilusões ou ser você?
Ter ódios ou ser humano?
Ter projetos ou viver a mercê?
Ter emoções ou ser de outro plano?

( Pablo Robles – POETA DO SOCIAL )

Dedico essa poesia especial a todas as pessoas anônimas, que lutam, lutaram e lutarão, no silêncio de suas rotinas ordinárias, em busca de sonhos e resultados extraordinários... Carlos Guilherme, presente hoje e sempre!... (ver poesias anteriores “Exemplos Imorredouros” e “Abençoada Seja a Gentileza”).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Abençoada seja a Gentileza


ABENÇOADA SEJA A GENTILEZA

O amor tudo pode,
Quando a vida explode
De luz, magia e humanidade.
Haja poesia para aliviar a cidade.

Contudo, a agitação do cotidiano
Atropela muitas vezes a gentileza.
Como tem fragilidade nossa Fortaleza!
Como falta ternura no conviver humano!

Entre um bom-dia e um boa-noite,
Possibilidades e limites escorrem.
Ora a cordial simpatia, ora o risco do açoite.
Civilidades se encolhem perante brutalidades.
No subterrâneo do mundo, povoam maldades.
Guerreiros tombam, mas os ideais renascem.

De repente, absurdos vão e mistérios vem...
Notas de desencanto turvam nosso coração:
O sorriso murcha, o choro espreita, falta lenço.
É duro perder alguém que tanto acreditava no bem.
Desesperos trafegam na contramão do bom senso,
Enquanto a compreensão tenta recuperar a direção.

A barbárie não se divorciou da modernidade.
O que não quer dizer que a utopia se acabou.
A ousadia exterior passa pela reforma interior.
Não deixe que a indiferença e a impunidade
Destruam a tua confiança e força de vontade.
Abençoado seja quem por aqui passou e lutou.

( Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

PS.: Em tempos de Páscoa 2012, uma reflexão sobre a falta de gentileza e a perda brutal de pessoas simples e sonhadoras (ver poesia anterior Exemplos Imorredouros).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Exemplos Imorredouros


EXEMPLOS IMORREDOUROS*

Quem luta pelo bem nunca vai embora.
Sempre se pereniza com seu exemplo para quem fica.
Nessa hora triste, a humanidade chora.
O drama da violência nos assola, estarrece e sacrifica.

Carlos Henrique Costa Guilherme foi a vítima da vez.
A maldade assusta e a solução vai muito além do xadrez.
Uma grande liderança socioambiental mudou de plano,
Deixando entre amigos e admiradores sua fé no humano.

Os parceiros, ativistas e catadores perderam uma referência:
Um geógrafo que lapidou sua vida com engajada coerência.
Nesse momento em que nossos corações murcham de tristeza,
A providência divina o acolhe e segue semeando sua grandeza.

A missão que ele empunhava e de alguma forma ainda o fará,
Também é sua, nossa, da sociedade, do governo e da cidadania.
Precisamos manter acesa a utopia, apesar da sombra de cada dia.
Que o luto desta perda enobreça as lutas travadas no Brasil e Ceará.

( Por Pablo Robles – POETA DO SOCIAL )

*Meus pêsames poéticos pelo ativista Carlos Guilherme: 1968 – 2012.

PS.: "Sou viramundo virado pelo mundo do sertão, mas inda viro esse mundo em festa, trabalho e pão" (uma das citações preferidas dele, extraída da música Vira-Mundo, de Elis Regina. A propósito, Carlos, dentre outras iniciativas, fundou o Instituto Ambiental Viramundo.

quarta-feira, 7 de março de 2012

POESIA: Luz Fraternal

LUZ FRATERNAL

Mulheres, lindas e insubstituíveis!
Aqui e ali, mil e um motivos pra sorrir,
Apesar de lágrimas não deixarem de cair.
Dentro de ti, ecoam utopias belas e sensíveis.

Tua bandeira ilumina e humaniza os horizontes.
Na usina da tua alma, a poesia dança, se recicla.
No batuque do teu coração, o amor se multiplica.
Tuas mãos generosas, estendidas, viram pontes.

Abençoado o homem que acolhe tuas carícias
E se perde no labirinto diáfano de tuas malícias.
Teu grito se fez história e acalentou revoluções,
Enfrentando o patriarcado que oprimia gerações.

No carnaval da biologia, a natureza exala magia.
Na montanha do mercado, teu ser galga cidadania.
Na ciranda das relações, tu és a bússola da sintonia.
No escuro das crises, és a chama que pondera e alivia.

Sem as estrelas, é impossível admirar o cosmos.
Te almejamos, porque sem ti quase nada somos.
Sem a tua luz fraternal, a sirene do caos desperta,
A beleza perde o encanto e ficamos fora de órbita.

( Pablo Robles - POETA DO SOCIAL )

POESIA ESPECIAL EM HOMENAGEM AO DIA DAS MULHERES 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

POESIA: Entrelaçando Rimas e Rumos

ENTRELAÇANDO RIMAS E RUMOS

Do nada, surgem versos.

Escorrem rimas, sentidos inconfessos.

O absurdo do mundo se desnuda.

As máscaras caem e tudo muda.

A lágrima sincera dissolve o sorriso fingido.

O aborto da arte ameaça o poema mal parido.

Dos versos, entretanto, reciclam-se esperanças.

Contra retrocessos, a ousadia pura das crianças.

O sentimento do planeta passa pelos dedos.

O toque da vida, a comunhão dos arvoredos.

Somos um mosaico caótico de finitos e vazios

Costurado por imponderáveis e utópicos desvios.

Ainda existe luz atrás da promessa cansada.

A felicidade de repente já está na gente.

Basta desatar os medos e humanizar os fios.

Na dúvida, deixa o amor guiar a caminhada.

( Poeta do Social )